Emma andava pelas ruas frias de São Paulo. Era o dia mais frio do ano. Leggin preta, uma bota baixa preta, um sweater bege, jaqueta de couro preta e um cachecol enorme concluíam o look do dia.
Tinha acabado de sair da faculdade, era sexta-feira, ela queria fazer alguma coisa. Acabou indo parar na Vila Madalena, com umas amigas. Suas amigas todas de salto alto e mini saias ou vestidos. O que só mostrava como Emma era baixinha.
Depois de algum tempo, suas amigas estavam bêbadas, e flertando com caras, que depois de algum tempo, iriam beija-las. Pegar o número do celular, talvez ligar no outro dia e sair mais uma ou duas vezes.
Mas Emma não era assim, odiava beber e flertar com caras desconhecidos. Levantou e foi pegar uma cerveja. Mesmo não bebendo sempre, resolveu tomar só uma. Pediu ao garçom e voltando, esbarrou em um homem. Pediu desculpas e já foi saindo. Mas antes resolveu olhar o rosto do sujeito. Gelou. Ela o conhecia. Já se passaram quantos anos mesmo? Quatro, achava que era isso. Aqueles olhos azuis eram únicos.
Ele a reconheceu. Abriu um sorriso e disse, "Emma, como sempre desastrada!". Começaram a conversar. Ela lembrou porque gostava tanto dele na época. Ele não se intimidava com a beleza dela, com os olhos desafiadores, nem com o jeito certinho possessivo, que ela sempre mostrou muito forte.
Conversa vai, conversa vem, ele pediu o número dela. Ela não estava gostando do rumo da conversa. Próximo passo, ia chegar mais perto. É, ela não queria voltar com aquele babaca. Lembrava-se muito bem do porque que terminaram. Deu um jeito e saiu, dando a desculpa de que ia ao toalete.
Ufa, se livrou. Aproveitou e foi embora do bar. Estava esperando o taxi, quando uma pessoa a puxou. Caramba, era ele de novo. E ele estava mais bêbado do que quando ela o deixou, a vinte minutos. Opa, ele tentou beija-la. Ela o empurrou. Ele continuou. Imediatamente se lembrou: quando ele ficava bêbado, ficava insuportável. Gritou, "me solta!" Ele começou querer forçar as coisas. Não. Não. Não. Empurrou ele mais forte. Então, uma pessoa o puxou, e lhe deu um soco. Ui. Ela já tinha visto esse cara antes. Na academia.
Ele era mais forte e mais alto que seu ex. O babaca mesmo bêbado, reagiu. E começaram a se empurrar, e tentar dar uns socos. Já que ele estava bêbado não reagia tão rápido. Emma começou a gritar, gritar para que os separassem, gritar porque ela queria que o ex dela sumisse, e principalmente, gritar porque o cara que a estava defendendo era tudo de bom. Os amigos de seu ex chegaram e quiseram bater no cara gato. Ela se intrometeu falando que ele a tinha ajudado. Os caras, óbvio, não acreditaram. Ela sem pensar foi e abraçou o cara. "Ele é meu namorado, o besta ai só ta com ciúmes."
Os caras não acreditaram, o gato, que por acaso se chama Guilherme, não pensou duas vezes e tascou um beijo em Emma.
Ela se lembra disso só depois, sua vista estava muito embaçada. Eles ficaram conversando e o taxi chegou. Emma deu seu número para Guilherme. No outro dia, ele ligou para ela. Marcaram de sair.
Foi nessa noite que ela esqueceu o passado de vez e começou um futuro. Em uma noite qualquer, onde não esperava nada, simplesmente relaxar, encontrou seu amor.
Foi nessa noite que ela esqueceu o passado de vez e começou um futuro. Em uma noite qualquer, onde não esperava nada, simplesmente relaxar, encontrou seu amor.
Bruna Albuquerque

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